Faltam profissionais para garantir diálise durante férias no Alentejo
As regiões do Alentejo e do Algarve estão sem recursos humanos qualificados em número suficiente para garantir a continuidade dos tratamentos de hemodiálise a doentes renais de férias, alertou a Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR).
A Associação reconheceu que não existe falta de unidades de diálise nem falta de qualidade nos serviços prestados, mas salientou, num comunicado, que o “problema crescente” provocado pela “falta de recursos humanos qualificados na área da hemodiálise” está a impedir a “normal continuidade dos tratamentos em regiões turísticas como o Algarve e o Alentejo” para doentes de férias.
Citado no comunicado, o presidente da APIR, Paulo Urbano, reportou que, nas últimas semanas, houve um “número crescente de queixas de insuficientes renais que são obrigados a desmarcar períodos de férias por falta de vaga para fazerem os seus tratamentos de hemodiálise no Algarve e Alentejo”.
Apesar de admitir que a falta de recursos humanos “não é uma situação nova” nestas regiões, onde existem dificuldades crónicas para contratar e fixar profissionais de saúde, Paulo Urbano pediu o “apoio das autoridades competentes” para encontrar soluções para os doentes que querem prosseguir os seus tratamentos durante os períodos de férias.
“Portugal dispõe de hospitais públicos e de uma rede de clínicas altamente diferenciada e reconhecida pela excelência clínica. No entanto, a crescente dificuldade em recrutar e fixar médicos, enfermeiros, técnicos e outros profissionais especializados está a reduzir a capacidade operacional de algumas unidades, sobretudo em períodos de maior procura, como acontece durante os meses de verão”, argumentou.
A associação realçou que há “centenas de doentes renais” que querem prosseguir os seus tratamentos em zonas de férias, “garantindo a continuidade terapêutica enquanto desfrutam de alguns dias de descanso com as suas famílias”, mas não o conseguem fazer porque “não existem equipas suficientes para assegurar todas as sessões necessárias”.
Perante estas circunstâncias, “muitos acabam por ver inviabilizado um direito que para a maioria dos portugueses é adquirido: o direito a férias”, lamentou a APIR, considerando que a “doença renal não pode significar uma condenação a ficar em casa”.
“Os doentes têm o mesmo direito ao descanso, ao convívio familiar e à qualidade de vida que qualquer outro cidadão. O tratamento não pode ser um obstáculo permanente à sua participação plena na sociedade e falhar um tratamento coloca em risco a vida do doente", afirmou Paulo Urbano.
Para garantir a resposta a estes doentes, é necessário “reforçar a capacidade de resposta do setor” e adotar “medidas que promovam a valorização e retenção dos profissionais de saúde especializados em diálise, assegurando a continuidade dos cuidados em todo o território nacional, incluindo nos períodos de maior pressão assistencial”, propôs a APIR.
A Associação pediu, por isso, ao Ministério da Saúde e às entidades responsáveis pela assistência nessas regiões para analisarem a situação e encontrarem “soluções que permitam garantir que nenhum doente renal seja impedido de gozar férias por falta de acesso a um tratamento que é indispensável à sua sobrevivência”.
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