Maior empregabilidade é uma vantagem do programa de mobilidade europeia Erasmus+
O aumento da empregabilidade é uma das vantagens dos programas de mobilidade europeia como o Erasmus+, referiram, em Lisboa, os ministros da Educação e do Ensino Superior, na apresentação do programa para o período 2021-27.
Tiago Brandão Rodrigues e Manuel Heitor participaram na primeira de um conjunto de sessões de apresentação do Programa Erasmus+ e destacaram ainda a importância da mobilidade para “alavancar a cidadania europeia” e de tornar o programa cada vez mais abrangente e inclusivo.
“É inegável que todo e qualquer cidadão europeu que tenha uma experiência de mobilidade aumenta automaticamente a sua capacidade de empregabilidade, mas também a sua consciência de ser europeu”, destacou o ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues.
O titular da pasta da educação salientou o reforço das verbas previstas, que “quase duplica o orçamento”, de 14,7 mil milhões de euros no período 2014-20 para mais de 26 mil milhões de euros para 2021-27, de acordo com uma nota de imprensa divulgada hoje pelo ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
Segundo o ministro, "nem tudo é sobre dinheiro”, mas para que um programa deste tipo de mobilidade “seja verdadeiramente inclusivo” será necessário “dotar as pessoas com meios para poderem ir”, principalmente “aquelas com mais vulnerabilidade económica e social”.
“Se pensarmos numa família que coloca, já com dificuldades, os seus filhos a estudar num Instituto Politécnico ou Escola Profissional na capital de distrito ou mais longe, é muito difícil pensar como se pode sonhar e ter o arrojo de ir para uma qualquer capital da Europa. Por isso, a questão do dinheiro não é assim tão periférica e a grande vontade da Comissão Europeia é fazer com que o programa seja verdadeiramente inclusivo”, exemplificou Tiago Brandão Rodrigues.
O responsável pela pasta do Ensino Superior pegou nas afirmações do seu homólogo da Educação para reforçar algumas das ideias, mas principalmente a “questão da empregabilidade”.
“Não é por acaso que aqueles que têm Erasmus têm estatísticas mais favoráveis [na empregabilidade]. Porque o Erasmus cria um conjunto de competências, que na gíria se chamam de ‘soft skills’, de resiliência e adaptação a diferentes realidades que são, hoje, críticas para muitas condições de empregabilidade", destacou Manuel Heitor.
O ministro não teve dúvidas em considerar que “cada vez mais” os empregadores “públicos e privados” valorizam “a condição Erasmus” dos candidatos aos postos de trabalho.
Segundo a nota enviada hoje à imprensa pelo gabinete de Manuel Heitor, Portugal quer "triplicar” o número de estudantes em mobilidade até 2027, formando “mais e melhores acordos institucionais a nível europeu”.
Portugal passou de 2.500 estudantes em mobilidade no início deste século para 5.000 no ano de 2014 e para 10.000 em 2019/20, mas o objetivo dos governantes passa por triplicar esses números.
“Em 20 anos multiplicámos a participação de estudantes portugueses em mobilidade Erasmus em cinco vezes. Foi bom, mas não chega. Hoje, apenas um em cada 10 estudantes que concluem o ensino superior tiveram uma experiência Erasmus. A ideia é garantir que um em cada três jovens possa ter essa experiência”, apontou Manuel Heitor.
Nesse sentido, é também um objetivo “promover a efetiva inserção das instituições de ensino superior portuguesas, politécnicas e universitárias, públicas e privadas” em redes europeias, reforçando “graus conjuntos e processos de recrutamento” de docentes e investigadores, bem como a sua mobilidade.
Para isso, o ministério da Tecnologia, Ciência e Ensino Superior pretende “modernizar e restruturar a atual agência Erasmus+”, pretendendo instalar, até ao final deste ano, delegações “em todas as instituições de ensino superior e em muitas escolas secundárias e profissionais”.
Para além de apoiar projetos de mobilidade para fins de aprendizagem e cooperação dentro e fora da União Europeia, o Erasmus+ 21|27 pretende “capacitar projetos centrados na inclusão e nas transições ecológica e digital”, refere o ministério do Ensino Superior.
Lançado pela primeira vez em 1987, o programa Erasmus tornou-se Erasmus+ em 2014 de maneira a cobrir novos campos de atividade, como a formação profissional, educação de adultos ou intercâmbio de jovens, animadores de juventude e treinadores desportivos.
Além da oferta de oportunidades de estudo ou de estágio no estrangeiro, o programa investe também em projeto de cooperação transfronteiriças, nomeadamente entre universidades, estabelecimentos de ensino ou organizações de juventude e desportivas.
Segundo a Comissão Europeia, nas últimas três décadas, "mais de dez milhões" de europeus participaram no programa onde, além dos 27 países da UE, participam também a Islândia, Liechtenstein, Macedónia do Norte, Noruega, Sérvia e Turquia.
Comente esta notícia
Destaques
Papa Leão XIV nomeia Padre de Barrancos para corpo diplomático da Santa Sé
CCDRAlentejo diz que fábrica de bagaço de azeitona nunca incumpriu parâmetros medidos
Utilização do espaço aéreo pela Força Aérea impede Escola de Pilotos em Beja- Gonçalo Valente

