Mértola: Festival TSS apresenta o encontro de Bach e Casals pelas mãos da violoncelista Estelle Revaz
O Festival Terras Sem Sombra (TSS) apresenta-se, este fim-de-semana, em Mértola, com o concerto “Pablo Casals e Johann Sebastian Bach: Diversas (Talvez Muitas) Afinidades Eletivas”, pela violoncelista suíça Estelle Revaz. A atividade de Património propõe o tema “Engenhos, Memórias, Paisagens: Os Moinhos de Mértola” e a ação de salvaguarda da biodiversidade apresenta “A Raça Bovina Mertolenga: Uma Perspetiva Agroecológica”.
O Festival TSS apresenta, esta noite,
pelas 21.30 horas, na Igreja Matriz de Mértola, o concerto “Pablo Casals e
Johann Sebastian Bach: Diversas (Talvez Muitas) Afinidades Eletivas”, pela
violoncelista suíça Estelle Revaz.
O programa revisita a obra de Bach, sob a
égide da herança interpretativa de Casals, figura decisiva na redescoberta
moderna das suites para violoncelo já no século XX. Trata-se de um ponto de
partida para um diálogo que alterna momentos de maior densidade expressiva com
passagens mais abertas e luminosas, revelando a tectónica interna destas obras
e a sua surpreendente atualidade.
Durante a tarde, a atividade de património propõe, a
partir das 15.00 horas, o roteiro «Engenhos, Memórias, Paisagens: Os Moinhos de
Mértola», com ponto de encontro na Achada de São Sebastião (Parque de
Estacionamento da Estrutura Residencial, Santa Casa da Misericórdia) e
orientação do arquiteto e investigador Bruno Matos (BIOPOLIS-CIBIO e
Centro de Estudos de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Porto).
Ao longo das ribeiras afluentes do Guadiana, o património molinológico estruturou, durante séculos, a organização do território e das comunidades, exprimindo um saber-fazer intergeracional ancorado na leitura dos ciclos da água e na adaptação ao meio.
No concelho, destaca-se o moinho do Alferes, na Ribeira do Vascão, ativo até à década de 1960 e hoje reconvertido para fins de sensibilização ambiental, ilustrando a transição de função destes engenhos. Já o moinho de São Miguel preserva a dimensão viva deste património, mantendo práticas artesanais de moagem e produção de pão ainda enraizadas no quotidiano local.
No domingo, pelas 9.30 horas, a proposta de atividade convida a uma leitura viva do montado alentejano e da sua vertente pecuária, na herdade de Casa do Coelho, em Corte do Pinto «A Raça Mertolenga: Uma Perspetiva Agroecológica». Com ponto de encontro na Junta de Freguesia de Mértola, a visita conta com a orientação de Alice Nunes, bióloga e investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; João Madeira, engenheiro agrónomo e empresário agrícola; e José dos Santos Romana, agricultor e dirigente associativo.
Presente vai estar também José Luís Coelho Silva, diretor de serviços de Assuntos Europeus e Relações Internacionais no Gabinete de Planeamento e Políticas do Ministério da Agricultura – elemento fundamental na articulação com a FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Recorde-se que 2026 foi designado por essa instituição, à escala mundial, como o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores.
Adaptada a condições de escassez, resistente ao calor e capaz de tirar partido de pastagens pobres, a raça bovina mertolenga contribui para a fertilidade dos solos através do pastoreio extensivo, ajuda a controlar a carga combustível e favorece a regeneração natural do coberto vegetal. É, ao mesmo tempo, um recurso genético adaptado ao território e um ativo económico com forte identidade regional.
Durante a visita, os participantes acompanham práticas concretas de maneio no terreno, desde a gestão do pastoreio à utilização eficiente dos recursos hídricos, percebendo como ciência e conhecimento empírico se cruzam na resposta às alterações climáticas
A iniciativa inclui ainda uma abordagem à valorização da carne mertolenga, associada a circuitos curtos e produção sustentável, e termina com uma experiência gastronómica.
Todas as atividades são de acesso livre e gratuito.
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