Galp estuda projeto eólico com cerca de 22 aerogeradores entre Ourique e Odemira
A Galp está a estudar a instalação de um projeto eólico com cerca de 22 aerogeradores nos concelhos de Ourique e Odemira, no distrito de Beja, e capacidade aproximada de 158 megawatts, explicou hoje a empresa.
Em resposta a questões colocadas por escrito pela agência Lusa, a Galp esclareceu que o designado Projeto Eólico Mira, que abrange estes dois concelhos do distrito de Beja, está numa fase inicial de desenvolvimento.
O projeto “consiste na hibridização eólica de um parque solar em Ourique”, avançou.
Segundo a Galp, em junho de 2026, submeteu à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) uma Proposta de Definição de Âmbito (PDA), que constitui a primeira etapa do processo de avaliação de impacte ambiental.
Esta proposta destina-se a “recolher contributos das entidades” competentes “sobre os temas que deverão ser estudados e as metodologias que deverão ser utilizadas no futuro Estudo de Impacte Ambiental (EIA)”, acrescentou.
De acordo com a empresa, só após a conclusão desta etapa será desenvolvido o EIA, no qual serão avaliados os “potenciais impactes do projeto, alternativas consideradas” e “as medidas a implementar para eliminar riscos ambientais”.
Neste âmbito, sublinhou, “a configuração final” do projeto, o “número de aerogeradores ou a localização exata” de algumas das estruturas “poderão ainda ser ajustados em função dos resultados dos estudos técnicos e ambientais que vierem a ser realizados”.
“Numa configuração preliminar, o projeto contempla até 22 aerogeradores, correspondendo a uma capacidade instalada de cerca de 158 MW [megawatts]”.
A construção deste parque, segundo a Galp, não deverá começar “antes de 2029”, tendo em conta as diferentes fases de licenciamento e desenvolvimento ainda a decorrer.
O projeto prevê a “hibridização de uma central fotovoltaica em desenvolvimento na região de Ourique”, combinando a “produção de [energia] solar e eólica na mesma área”.
Desta forma, a empresa irá garantir “uma utilização mais eficiente das infraestruturas elétricas existentes”.
No entanto, a Galp não avançou, nesta fase, com o valor previsto para o investimento, justificando que a configuração final do empreendimento ainda não está definida.
Esclareceu ainda que o Projeto Mira “é totalmente distinto do projeto Cachenas”, que abrangia quatro freguesias nos concelhos de Odemira (Beja), Santiago do Cacém e Sines, no distrito de Setúbal, entretanto cancelado.
Este novo empreendimento “não surge na sequência do cancelamento” do Parque Eólico das Cachenas, assegurou.
Segundo a empresa, o projeto Cachenas estava “associado ao fornecimento direto de energia renovável ao eletrolisador de hidrogénio localizado na Refinaria de Sines”.
Já o Projeto Eólico Mira “foi concebido como um projeto de hibridização destinado à injeção de energia na Rede Elétrica Nacional”, sustentou.
“São projetos com objetivos, enquadramentos e modelos de desenvolvimento distintos”, garantiu a empresa, referindo que o Projeto Mira está “em estudo há vários anos” e “o seu desenvolvimento decorreu de forma independente da evolução” do parque Cachenas.
A empresa revelou ainda que tem vindo a desenvolver contactos para “apresentar o projeto e recolher contributos" das populações, nomeadamente através das juntas de freguesia, com as quais estabeleceu “um canal de diálogo”, e com as câmaras de Odemira e Ourique.
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