Oposição surpreendida com detenção do presidente da Câmara de Sines
Os vereadores da oposição na Câmara de Sines reagiram com surpresa à detenção do presidente socialista do município, Nuno Mascarenhas, no âmbito de uma investigação a negócios ligados ao lítio, hidrogénio e centro de dados.
Em declarações à agência Lusa, António Braz, um dos dois vereadores eleitos pelo movimento de cidadãos MAISines, reconheceu hoje que foi “com surpresa” que, na terça-feira, recebeu a noticia da detenção de Nuno Mascarenhas (PS).
“Foi com surpresa, mas, nesta fase, e no que concerne ao presidente da câmara, aconselhamos alguma serenidade para perceber, primeiro, o que consta da acusação e qual a verdadeira envolvência, para podermos tomar uma posição mais formal sobre o caso”, afirmou.
O autarca, que representa um movimento independente de cidadãos eleito nas últimas eleições autárquicas, lamentou “o impacto que [esta investigação judicial] tem sobre os investimentos em Sines”.
“Isto, conjugado com a demissão do primeiro-ministro, com eventuais novas eleições [legislativas], há aqui um conjunto de investimentos que se projetavam para Sines que pode ter um 'delay' em termos temporais ou ficar comprometido”, argumentou.
O executivo camarário é também constituído, além da maioria PS (quatro eleitos) e do movimento independente, por um vereador da CDU, Jaime Cáceres, que disse igualmente estar surpreendido com a detenção de Nuno Mascarenhas, a cumprir o terceiro e último mandato na autarquia do litoral alentejano.
“Vejo com surpresa, muita surpresa, porque não sabemos quais os motivos [que levaram à detenção do autarca] e, por isso, não podemos emitir opiniões”, disse à Lusa.
No entanto, o eleito comunista lembrou que sempre votou “contra todas as pretensões” apresentadas em reunião de câmara “relacionadas com “o hidrogénio verde, o metanol e eletrólise”, mesmo que, por se tratarem de Projetos de Interesse Nacional (PIN), os pareceres não sejam vinculativos.
“Faltava muita informação nesses projetos, como [as questões do] armazenamento, do transporte, dos 'pipelines', como a segurança da cidade de Sines, se os projetos serviam só para alimentarem as fábricas ou a dessalinização da água”, especificou.
Segundo o vereador da CDU, “o projeto do Data Centre [da Start Campus] foi anterior” à sua tomada de posse.
O vereador do movimento MAISines, António Braz, reiterou que, em matéria de aprovação dos projetos, o município “não tem um papel decisório”.
“Espero que o mais rapidamente possível o presidente da Câmara de Sines possa clarificar porque é que esteve envolvido, porque a realidade é que, em 50 anos de poder local democrático, isto nunca tinha sucedido em Sines”, vincou.
Os outros quatro arguidos nesta investigação são o chefe de gabinete do primeiro-ministro, Vítor Escária, dois administradores da sociedade Start Campus e o consultor e advogado Diogo Lacerda Machado.
O Ministério Público (MP) constituiu ainda como arguidos o ministro das Infraestruturas, João Galamba, e o presidente do Conselho Diretivo da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Nuno Lacasta.
A investigação levou ao pedido de demissão do primeiro-ministro, na terça-feira, após o MP revelar que António Costa é alvo de investigação autónoma do Supremo Tribunal de Justiça sobre este assunto.
O Presidente da República vai reunir o Conselho de Estado na quinta-feira.
Comente esta notícia
Destaques
Papa Leão XIV nomeia Padre de Barrancos para corpo diplomático da Santa Sé
CCDRAlentejo diz que fábrica de bagaço de azeitona nunca incumpriu parâmetros medidos
Utilização do espaço aéreo pela Força Aérea impede Escola de Pilotos em Beja- Gonçalo Valente

